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Sensei Ramon Feliciano Cabrera

Ramon Cabrera

Nome Completo:
Ramon Feliciano Cabrera

Onde nasceu?
Nasci em Montevideu, Uruguai.

Qual a sua idade?
36 Anos. Nasci em 04 de Abril de 1970.

Qual a sua graduação?
Sou 4o. DAN Estilo Shotokan.

É federado? Se sim, por qual federação?
Sim, sou federado pela Federação Brasileira de Karatê-Do e Kobu-do FBKK.

Há quanto tempo pratica Karatê-Do?
Desde 1986.

Por que começou a praticar o Karatê-Do?
Sempre gostei de artes marciais. Há muitos anos eu tinha uma amiga de escola que era Karateca. Ela me convidou para assistir a um treino e eu fui.
Certa vez ela me disse que não treinava com um determinado Sensei pois o treino dele era conhecido por ser muito duro, ele era muito exigente. Seu nome era Sérgio Álvares, da Senbukai.
Quando ela me disse isso, tomei minha decisão. Pensei: É com esse Sensei que eu quero aprender. Fui até o Dojo do Sensei Sérgio Álvares e então comecei meu treinamento.


Possui algum ídolo?
Sim: Mestres Gichin Funakoshi, Hidetaka Nishiyama, Kanazawa, Yassutaka Tanaka, Tomeji Ito e Takashi Shigeda.

Quando começou a ensinar? Aonde foi?
Comecei a ensinar Karatê em 1996, na Associação Nascimento - São Paulo - SP.

Por que o Sr. ensina Karatê-Do?
O Karatê é um modo de vida. É um caminho para o auto-controle e a evolução pessoal.
Praticar Karatê-Do me dá uma alegria muito grande e gosto de compartilhar tudo isso.


O que o Sr. espera de seus alunos?
Pretendo voltar da Espanha para o Brasil daqui a algum tempo com outros alunos para fazermos um intercâmbio.
Quando fui treinado, aprendi que eu deveria ser igual ou melhor ao meu Sensei.
Quero a mesma dedicação de vocês. Quando eu chegar aqui, quero ver vocês melhores ou iguais a mim.
Não estou falando somente sobre o conhecimento técnico dentro do Dojo, estou falando sobre sua atitude fora dele também. Não há utilidade na prática do Karatê se a auto-disciplina que vocês têm for usada somente no Dojo.
Outro ponto importante é que educar é aprender. Quando você educa, você melhora como karateca, como pessoa, pois sente-se na obrigação de ser o exemplo, um exemplo no domínio das técnicas do Karatê e um exemplo como cidadão na sociedade.
Estou deixando o Dojo com vocês porque sei que são capazes de transmitir seu conhecimento e fazê-lo crescer. Quero que vocês continuem com essa garra em treinar e aprender sempre mais. Corrijam-se! Exijam sempre mais uns dos outros!
Se hoje vocês sentem orgulho de dizer: Sou aluno do Sensei Ramon! Quero que daqui a alguns anos muitos karatecas orgulhem-se ao dizer: Sou aluno do Sensei Lamarque! Sou aluno do Sensei Carlos! Sou aluno do Sensei Tiago! Sou aluno do Sensei Lamartine! (...)
Se sua conduta for correta, seus alunos terão orgulho de você.


O Sr. já precisou usar o Karatê-Do numa situação real?
Muitas vezes, vou contar sobre uma delas...
Eu trabalhava como segurança numa casa noturna e havia outra casa noturna bem ao lado.
Na casa noturna ao lado, de repente um rapaz empurrou o segurança e este caiu no chão.
O rapaz num primeiro momento aparentou que iria desculpar-se mas quando o segurança se levantou, o rapaz acertou-lhe um soco no rosto e o mesmo caiu novamente.
Aparentando estar drogado ou embriagado, o rapaz foi cercado por vários seguranças que ali estavam, eu inclusive.
Os seguranças começaram a bater no rapaz e o rapaz reagia, atingindo às vezes alguns seguranças.
Apesar de estar de frente para o rapaz, eu não queria machucá-lo e então não fui ao seu encontro.
Achei impressionante o fato do local estar escuro e o rapaz ter tentado socar todos os seguranças exceto eu. Tive a certeza de apesar dele estar tomado de raiva, não sentiu que eu ali na frente dele iria agredí-lo, pois meu espírito estava calmo.
Se você tem o espírito de agredir alguém, essa agressão vai e volta. Essa é uma lei natural.
Mantendo-se tranquilo, sereno, você tem muito mais chances de sair-se bem de uma situação, por mais difícil que ela seja.

 


Entrevista publicada na Budô Newsletter de março de 2007 (ANO I - Ed. 1)

 





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