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Sensei Alexandre Coradini Sobrinho

Alexandre Coradini


Nome Completo:
Alexandre Coradini Sobrinho

Qual sua data de nascimento?
18/08/1963.

Qual a sua graduação?
4o. DAN - Estilo Shotokan.

É filiado a alguma Federação?
Sim, sou filiado à Federação Brasileira de Karatê-Do e Kobu-do FBKK.

Quando iniciou seu treinamento? Com quem?
Em 1979 com o Sensei Edson “Borracha”.

Quando começou a lecionar?
Em 1991, na Academia São Jorge (ficava em cima do mercado Rivieira, na Av. Maria Coelho Aguiar, zona sul de São Paulo - SP).

Por que o Sr. começou a treinar Karatê?
Eu tinha 17 anos e só estudava. Naquela época eu pensava: Bem, eu não pratico nenhum esporte... não jogo futebol, basquete ou vôlei... vou procurar fazer alguma atividade física.
Andando um dia por Santo Amaro, vi aquela turma com aquela vestimenta branca e toda aquela disciplina, e então pensei: É aqui... Naquele momento comecei a frequentar as aulas de Karatê.


Por que o Sr. começou a ensinar Karatê-Do?
Nunca tinha me preocupado em “dar aulas” de Karatê... Certa vez um amigo chamado Régis me disse que havia uma academia na Vila das Belezas que estava à procura de um professor de artes marciais. Comecei a ensinar lá e em pouco tempo já estava levando a coisa a sério.

O que o Sr. acha dos karatecas que participam das competições chamadas Vale-Tudo?
Os atletas que participam do Vale-Tudo não devem ter somente habilidades no Karatê. Isso não é o suficiente.
Conhecimento de técnicas de solo como judô e jiu-jitsu são essenciais, porque por melhor karateca que ele seja, se for derrubado no chão pelo seu adversário, precisará saber mais...
Outro ponto importante é a força. Um aspirante a participar de um Vale-Tudo precisa fazer muita musculação. Não basta ter técnica, é preciso ter resistência e força física. Para obter um preparo suficiente, creio que deve-se treinar de segunda a sábado, em torno de 8 horas por dia, sempre variando os grupos de exercícios.


O que leva um atleta a participar do Vale-Tudo?
Creio que além de coragem, deve existir um espírito agressivo. É coisa que, como costuma-se dizer, “está no sangue...”. Pensando bem eu realmente não participaria dessa competição pois não teria o espírito de agredir um adversário... Não vejo benefícios em machucar alguém.

Como o Sr. se prepara atualmente?
Eu treino 3 vezes por semana, segunda quarta e sexta. Cada treino tem duração de aproximadamente 1 hora e meia. Acredito que para manter a forma e buscar melhorar sempre sua técnica, é preciso treinar no mínimo três vezes por semana.
Eu treino sempre pensando em ser como meu Sensei.
É claro que no Karatê, cada um tem seu estilo de luta. Você, o Sidney, o Fernando... cada um tem um estilo de luta único, cada um também tem seu estilo próprio ao executar um Kata...
Eu acho que comecei a melhorar meu Kata, base, kimê, etc. após os 30 anos de idade. Foi quando percebi que era necessário mostrar as técnicas mais corretas possíveis aos meus alunos.
Até hoje tento executar um mae geri, um mawashi geri e um yoko geri como o Sensei Edson Borracha...
Quando estou dando aula e alguém chega para assistir, eu evito demonstrar movimentos e posturas. O espectador pode ser um lutador que quer conhecer sua técnica para depois desafiá-lo. Quando estou lutando com um aluno e alguém começa a assistir, também paro a luta imediatamente. Quando alguém vem ao nosso Dojo, temos que ser precavidos até conhecermos as reais intenções dessa pessoa.
Agora que você se tornou um Sensei, deve ter em mente que poderá ser desafiado por um lutador. Isso já ocorreu algumas vezes comigo. Você deve manter seu treinamento regularmente para estar sempre preparado para uma eventualidade. Seja humilde em qualquer cirscunstância. Se um lutador o abordar dizendo que a técnica dele é superior por isso ou aquilo, concorde e seja gentil. Conhecendo a si mesmo, não é necessário sair por aí fazendo exibições de sua técnica. Lembre-se disso: Sua arte só deve ser usada se a sua vida está em perigo.


Como o Sr. acha que eu posso melhorar a execução dos Kata?
Como você mencionou que tem acesso a uma filmadora, faça o seguinte: Deixe a filmadora ligada no canto de um ambiente espaçoso e faça os Kata. Faça todos os Kata. Desde o Heian Shodan até onde você souber. Então assista diversas vezes essa filmagem e verifique os pontos em que é necessário melhorar. Você perceberá que sempre há algo em que podemos melhorar.
Até hoje eu faço a filmagem, assisto o DVD e me corrijo. O dia em que você assistir a essa filmagem e disser:
“- Ok, agora estou bom!”, você pode parar de treinar...
Não é possível alcançar a perfeição. Sempre temos algo para aperfeiçoar. Esse é um ciclo que não tem fim.


Que dicas o Sr. dá para quem já é praticante ou está iniciando seu treinamento nas artes marciais?
Cada um tem um objetivo ao praticar uma arte marcial. Quando iniciei meu treinamento, não foi visando brigar ou mesmo aprender uma defesa pessoal.
Antes de começar a praticar o Karatê, eu realmente era muito “brigão”, depois de algum tempo de treinamento compreendi que não há vantagem alguma em brigar.
Eu vejo saúde na prática do Karatê-Do. E é isso que eu busco e consigo com a prática.
Outra coisa muito interessante é que se o seu Sensei tiver uma boa disciplina, você também terá disciplina. Você acaba sendo um espelho de seu Sensei.
Por exemplo: Eu tenho o hábito de fumar, mas nunca fumo na frente de meus alunos. Se você der maus exemplos para os seus alunos, eles irão seguí-lo.
Na minha opinião o karatê é um esporte completo, trabalha o corpo todo, da cabeça aos pés. Procure ser orientado por um bom Sensei que o karatê só lhe trará benefícios.
O karatê para mim é saúde, é auto-confiança. Se eu ficar alguns dias, uma semana sem treinar, ando pela rua com uma sensação de insegurança. Mantendo a prática regular sinto-me auto-confiante, preparado para qualquer eventualidade.
No kumite é necessário lutar de acordo com o seu adversário. Se ele tem movimentação lenta, o soco dele provavelmente é forte... Primeiro entre no ritmo dele para só então desenvolver sua estratégia rumo a vitória.
Não aprendemos artes marciais para sair por aí lutando, sou contra qualquer atitude de violência. É importante ter em mente que saber karatê pode ser comparado com uma pessoa que possui uma arma na cintura. O praticante deve ter muita responsabilidade e saber que só deve usar sua técnica em último caso.

 


Entrevista publicada na Budô Newsletter de junho de 2007 (ANO I - Ed. 2)

 





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